Pelo dia Internacional da Mulher: 8 de março.
O assunto não é novo, mas acho que continua merecendo reflexões e esclarecimentos, porque apesar de muito discutido, ainda gera diferentes leituras.
Outro dia estava eu conversando com um amigo,quando ouvi deste , à queima roupa, uma frase antiga e muito conhecida nossa: “os homens gostam que a mulher seja uma lady durante o dia e uma puta na cama.”
De pronto, fiquei indignada. Não por ser puritana ou uma mulher retrógrada que vive em tempo pretérito, mas porque senti naquela frase o quanto ainda somos desvalorizadas e desrespeitadas por uma fatia significativa dos homens. Sim, porque ao ser requisitada como uma meretriz cai por terra toda a conquista feminina das últimas décadas, a custa de muita luta e sacrifícios, o que começou com o direito de ser valorizada no trabalho, com condições mais dignas, passou pela possibilidade de votar e ser votada, pela equiparação em direitos civis e trabalhistas, gradualmente pela emancipação sexual e, por último, precisou que uma Lei Federal, a de nº 11.340/2006, apelidada de Lei Mara da Penha, viesse imprimir mais rigor na punição dos homens que maltratam mulheres. A mulher moderna, hoje, descobriu sua sexualidade e conquistou o direito de exercê-la em plenitude. Gosta de sexo, quer dar e receber prazer, ter orgasmos, sim, (até mais de um) mas, acima de tudo, quer ser respeitada em sua individualidade , em seu direito de escolha e não ser remetida a uma situação de submissão, porque é isso que ocorre, infelizmente, na prostituição: o homem paga por um serviço e quer recebê-lo de acordo com suas exigências , não levando em conta o sentimento da parceira, suas preferência e opções Foi então que pensei: será por isso que está cada vez mais difícil a compatibilidade nos relacionamentos? A matéria tem sido objeto de vários estudos: a revista Época do dia 2 de fevereiro ,pp, trouxe uma extensa matéria sobre o universo da sexualidade feminina, passando desde a interpretação de Freud, até o trabalho da moderna pesquisadora canadense Meredith Chivers que constata,em síntese, “a grande diferença entre o que estimula um homem e uma mulher”. Mas na minha visão de “simplesmente-mulher”, quero crer que buscamos a mesma coisa, mas por caminhos diferentes. E isso explica-se por nossa herança cultural: enquanto os homens de algumas décadas atrás eram conduzidos aos bordéis, a fim se prepararem para a sua vida adulta, as meninas da mesma época sonhavam com o príncipe encantado. A partir daí é bastante previsível o desfecho: nem os homens encontraram suas damas, tampouco as mulheres, os seus príncipes. Mas uma coisa é bastante clara: nós, mulheres, já descobrimos que os príncipes encantados ficaram em nossas histórias infantis e queremos um homem real, que nos ame e compartilhe do nosso prazer, mas que nos trate em igualdade de condições, com direito de ser parceiras, sem a pecha e o jugo.
Basilina Pereira
Representante da Poemas à Flor da Pele no DF














