Joaquim Moncks em ação
De espírito forte e prosa fácil, foi o protagonista de muitos bate-papos acalorados sobre poesia, defensor que é da boa palavra, ao provocar e instigar afirmando, com conhecimento de causa, que a maioria dos autores da atualidade se utilizam das inspirações como um "confessionário íntimo". Era conversa para madrugada inteira, regada a um bom churrasco, na Churrascaria Garcia, onde íamos após os cafezinhos da CAPORI. Passados quase quatro anos, soletrando e desvendando palavras em minhas criações, relembro desse amigo e agradeço as orientações para não banalizar a Poesia.
A olheira de plantão não deixou passar e foi buscar informações e os poemas deste grande poeta da atualidade.
Em sua biografia vemos a formação das suas qualidades entre a disciplina e a justiça. Atuou como Oficial PM, hoje na reserva, é advogado, e graduou-se professor de Criminologia, Ciência e Direito Penitenciário, Direito Processual Penal Militar e Segurança Empresarial.
Mas em sua essência ferve a indisciplina do ser que voa e cria como Poeta e Declamador. É um Ativista Cultural, dos bons, desde 2003 atua como Coordenador Executivo da Casa do Poeta Brasileiro, a POEBRAS, criada pelas mãos de seu amigo Nélson Fachinelli, o Operário das Letras, do Rio Grande do Sul. Atua como Agente Literário, Conferencista, Ensaísta e Analista literário, atividades que realiza em seus dia-a-dia e, muitas vezes, como Jurado de festivais nativistas e eventos de poesia e música popular.
Nasceu em Pelotas, em 29 de setembro de 1946. Tem a cidade de Canguçu como sua segunda terra, porque lá iniciou sua carreira como oficial de PM, aos 23 anos, em 1969.
Exerceu cargos importantes em sua trajetória como Deputado constituinte à Assembléia Legislativa do Estado, em 1989, onde presidiu a Comissão Temática de Educação, Cultura, Desporto, Ciência, Tecnologia e Turismo, de onde contribuiu para:
- criar a carta constitucional do Rio Grande do Sul, além de apresentar porojetos importants para os gaúchos, que tornaram-se leis: o das PILCHAS GAÚCHAS, que oficializou a indumentária tradicional do homem e da mulher gaúcha, em respeito à ancestralidade e à tradição agro-pastoril do RS, como traje preferencial e de honra no território do Estado (1989);
- promover o dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi, o líder negro dos Palmares, como o DIA ESTADUAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, em homenagem à negritude rio-grandense, voz única que se fez ouvir ao pedir desculpas pela escravidão imposta aos negros;
- e instituir o dia 04 de Dezembro como o DIA DO ARTISTA REGIONALISTA E DO POETA REPENTISTA GAÚCHO (1989).
De 1973 até agora lançou os livros:
ENSAIO LIVRE (plaqueta), 1973;
FORÇA CENTRÍFUGA, 1979; ITINERÁRIO (?), 1983;
O EU APRISIONADO, 1986;
O SÓTÃO DO MISTÉRIO, 1992;
O POÇO DAS ALMAS, 2000;
OVO DE COLOMBO, 2005;
CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre Prosa e Poesia, lançado na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro de 2008, contém cartas, mensagens e prosa poética publicadas no Recanto das Letras. Ao pé de cada texto do livro aparece o link para acesso ao RL.
Está trabalhando dois livros: o de poemas regionalistas DE QUANDO O CORAÇÃO ABRE A CORDEONA, iniciado em 1978, quando tinha intensa participação nos movimentos tradicionalista e nativista do RS. Nessa época, 1982/87, integrou o Conselho de Cultura do Movimento Tradicionalista Gaúcho - MTG, órgão informal de política cultural com forte atuação.
E, desde 2004, o livro BULA DE REMÉDIO de poesia universalista, previsto para 2009.
Tem mais de 150 mil leituras no Recanto das Letras, espaço virtual que o estimula a publicar suas criações, por "onde perpassam o fogo poético e a tentativa estética da contemporaneidade formal". E neste espaço, por seu amor à Poesia, dedica desde junho de 2005, mais três horas do seu dia, instigando poetas através da análise crítica tudo para que o autor chegue à síntese e à autocrítica, objetivando a melhoria de seu texto. Não atua como um professor de Letras e sim como alguém veterano na arte da escrever.
Realiza oficinas literárias em Salvador/BA, Campo Grande/MS, e no RS. http://recantodasletras.uol.com.br/autores/moncks
O FLERTE INACABADO
Joaquim Moncks
Nos jogos do amar, as conversas subjacentes e incidentais sempre têm uma marcante melancolia, não é mesmo?
Ainda que a alegria do encontro e das descobertas seja ótima, quase bobices da euforia, a inquietação do novo e o temor da perda sempre carregam no bojo de tudo a insegurança do dia seguinte.
Apesar do perfume da flor inalado pelo olfato, na boca há um inquieto agridoce. O coração amoroso quase sempre sangra. E os mecanismos do desejo escrevem o poema com os espinhos.
É este o flerte entre seiva e flor.
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
FLOR DA AUSÊNCIA
Joaquim Moncks
Amarga
essa flor
que se chama amor.
Amarga essa doçura
a flor da ausência.
Amarga essa tristeza
que se chama despedida.
Amarga
essa flor do ventre
cujo nome é desejo.
É amarga a boca
que tem o sal da lágrima.
E nesse agridoce
permanece o jogo trágico
das palavras, Amada.
No chão em que piso
baila uma bailarina
cujo nome é solidão.
– Do livro OVO DE COLOMBO. Porto Alegre: Alcance, 2005, p. 84.
Lume
Joaquim Moncks
Colho palavras
como quem arruma as malas.
E o mundo dos afetos
é um algodão doce.
Uma lâmpada pisca
na ponta do cigarro.
Será o pirilampo
um pijama luminoso
para quem ama?
CHEGADAS E PARTIDAS
Joaquim Moncks
Joaquim Moncks
Nos jogos do amar, as conversas subjacentes e incidentais sempre têm uma marcante melancolia, não é mesmo?
Ainda que a alegria do encontro e das descobertas seja ótima, quase bobices da euforia, a inquietação do novo e o temor da perda sempre carregam no bojo de tudo a insegurança do dia seguinte.
Apesar do perfume da flor inalado pelo olfato, na boca há um inquieto agridoce. O coração amoroso quase sempre sangra. E os mecanismos do desejo escrevem o poema com os espinhos.
É este o flerte entre seiva e flor.
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
FLOR DA AUSÊNCIA
Joaquim Moncks
Amarga
essa flor
que se chama amor.
Amarga essa doçura
a flor da ausência.
Amarga essa tristeza
que se chama despedida.
Amarga
essa flor do ventre
cujo nome é desejo.
É amarga a boca
que tem o sal da lágrima.
E nesse agridoce
permanece o jogo trágico
das palavras, Amada.
No chão em que piso
baila uma bailarina
cujo nome é solidão.
– Do livro OVO DE COLOMBO. Porto Alegre: Alcance, 2005, p. 84.
Lume
Joaquim Moncks
Colho palavras
como quem arruma as malas.
E o mundo dos afetos
é um algodão doce.
Uma lâmpada pisca
na ponta do cigarro.
Será o pirilampo
um pijama luminoso
para quem ama?
CHEGADAS E PARTIDAS
Joaquim Moncks
Na emigração de silêncios e luzes para a casinha do Passo de Torres, em Pasárgada o mar me salgou a memória, ao compasso de areias e ventos.
Talvez por isto a palavra diária seja sempre de ondas e maresia. E salive ao sabor de lágrimas a carne macia dos peixes, no céu palatino de chegadas e partidas.
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2005/2009.
O milagre da virtualidade nos ensina a conviver à distância física. Aquele que cuida da plantinha Amizade, se torna tão ou mais importante que os amargos trastes não virtuais do mundo da realidade. Somos do legado afetivo. O mistério do outro nos faz falta e nos ensina o fetiche da convivência. O abraço é largo e o beijo derrama-se na lágrima. Mudou algo?
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
Talvez por isto a palavra diária seja sempre de ondas e maresia. E salive ao sabor de lágrimas a carne macia dos peixes, no céu palatino de chegadas e partidas.
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2005/2009.
AMOR EM TEMPO E ESPAÇO
Joaquim Moncks
Joaquim Moncks
O milagre da virtualidade nos ensina a conviver à distância física. Aquele que cuida da plantinha Amizade, se torna tão ou mais importante que os amargos trastes não virtuais do mundo da realidade. Somos do legado afetivo. O mistério do outro nos faz falta e nos ensina o fetiche da convivência. O abraço é largo e o beijo derrama-se na lágrima. Mudou algo?
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
A ORAÇÃO FALA DE DENTRO
Joaquim Moncks
Joaquim Moncks
Há dias em que o tempo conspira. Há momentos em que a solidão exige o contato com os céus. Noutros instantes, o etéreo é pequeno para a angústia de estar vivo. Dentro de nós somente o deus que somos.
A oração fala de dentro, soturno lampejo da mínima condição humana. Assim se dá a divindade de nos sabermos pequenos. Nada é tão esplendidamente compensador. E tantos nada sabem disso...
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
A oração fala de dentro, soturno lampejo da mínima condição humana. Assim se dá a divindade de nos sabermos pequenos. Nada é tão esplendidamente compensador. E tantos nada sabem disso...
– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
O SUICIDA
Joaquim Moncks
Os loucos surtam
soltos
de suas camisas de força.
Somente o vinho, túrgido de aromas,
desce sem detença.
Tudo é irreversível na loucura.
Há um fio de fel
no eixo das lembranças.
A solidão chega: é o pássaro
que se estatela no vidro da janela.
Flores no jardim abaixo
confidenciam a incompetência no vôo.
Uma rosa vermelha
de pescoço longo
olha pra cima
e acompanha
o mergulho do suicida.
Na calçada o corpo geme
desnudo de esperanças.
O dia arruma a cabeleira do sol.
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2004/2009.
O AMOR FAGULHA O DESDÉM
Joaquim Moncks
Não me sussurrava o silêncio
há tanto tempo
que esquecera a sua voz.
Despido, o poema sem sono
vem à cuca.
É líquido o prisma dos olhos.
A solidão rutila esmeraldas e rubis.
Geme em silêncio
a desesperada voz dos aflitos.
O violão sola o canto de mágoas.
A emoção voeja no anjo
de asa quebrada.
E nos telhados,
feito um gato soturno,
o amor fagulha o desdém.
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2004/2009.
ARPEJOS SEM PERSPECTIVA
Joaquim Moncks
Minha fúria de mudar o mundo
tem por baixo um boneco desanimado.
Aos mais de sessenta,
sou um maiacovski sem forças.
Tentei o novo.
Surgiu-se-me o fantasma do Real.
Este mundo de bens de consumo
é a farsa do milênio terceiro.
Mais enricada do que nunca
a criatura humana empobreceu-se de valores.
Bato à porta do futuro:
meus neurônios alertam
para o visto e o revisto.
Tinge-se de sangue a janela da esperança.
Mais que nunca
como apontou Charles Baudelaire
a trepada é o lirismo do povo.
A rigor, neste tempo de asperezas
pega-se o automóvel e se passa por cima
do mendigo da esquina.
O braço que estende a mão ao óbolo
duplica-se, triplica-se, multiplica-se.
A fome vai além do gesto.
– Do livro BULA DE REMÉDIO, 2004/2009.

Olheira de plantão!
Dicas de Sandra Antonioli,
e-mail sandra.antonioli@gmail.com